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Redação3 de junho de 2026 · 6 min de leitura · atualizado 29 de setembro de 2026

Redação de concurso: 12 erros de norma culta a evitar

Crase, regência, gerundismo, prolixidade e mais 8 vícios que costumam custar pontos em norma culta. Lista crua + correção de cada um.

Redação de concurso: 12 erros de norma culta a evitar

A maioria dos candidatos perde redação não por falta de ideia, mas por erros bobos de norma culta que descontam ponto certinho. Em prova CESPE/CEBRASPE, os erros de norma subtraem pontos da nota de conteúdo — não importa se seu argumento era brilhante. E nas outras bancas o domínio da norma também é critério expresso de correção.

Este post lista 12 erros frequentes em redação de concurso público com correção objetiva, pensando nos critérios de CESPE, FGV, FCC e VUNESP.

Por que norma culta pesa tanto

O peso da norma culta varia conforme a banca e o edital — confira sempre o item de correção da discursiva. Em concurso com nota mínima na redação, poucos pontos perdidos em gramática podem significar eliminação.

O CESPE/CEBRASPE, por exemplo, costuma usar nos editais a fórmula NPD = NC − 2 × NE ÷ TL: a nota de conteúdo (NC) perde 2 pontos multiplicados pelo número de erros (NE) e divididos pelo total de linhas escritas (TL); se o resultado ficar negativo, a nota é zero. Não tem milagre. Tem método.

Os 12 erros que mais zeram

1. Crase em pronomes

Errado: "Refiro-me à essa questão." Certo: "Refiro-me a essa questão."

Regra: em regra, antes de pronome demonstrativo (esta, essa), pessoal (ela, você) ou indefinido (todas, qualquer) não há crase. Exceções principais: "àquela/àquele/àquilo" (fusão da preposição com o "a" inicial do pronome), os relativos "à qual/às quais" ("a questão à qual me refiro") e pronomes que admitem artigo, como "senhora", "mesma" e "outra" ("Refiro-me à senhora").

Macete do masculino: troque por "este" — virou "a este"? Sem crase. Virou "ao"? Tem crase.

2. "Implicar em" — o falso amigo

Errado: "A reforma implica em mudanças estruturais." Certo: "A reforma implica mudanças estruturais."

O verbo implicar (no sentido de acarretar) é transitivo direto — não rege preposição. "Implicar em" pegou tração na linguagem cotidiana, mas a norma-padrão cobrada em concurso trata o verbo como transitivo direto.

3. "A nível de" — jargão proibido

Errado: "A nível de Brasil, a desigualdade é estrutural." Certo: "Em âmbito nacional, a desigualdade é estrutural." ou "No nível federal..."

"A nível de" não é aceito pela norma culta. Não confunda com "ao nível de" no sentido de "à mesma altura" ("ao nível do mar"), que é correto.

4. Gerundismo

Errado: "Vou estar enviando o documento amanhã." Certo: "Enviarei o documento amanhã." ou "Vou enviar o documento amanhã."

A locução com gerúndio só faz sentido para ação em curso, contínua ("estou estudando agora"). Como auxiliar de futuro é vício de telemarketing. Em redação formal: corte sem dó.

5. Concordância com "a maioria de"

Certo (ambos aceitos): "A maioria dos estudantes aprovou..." (concorda com o núcleo "maioria") ou "A maioria dos estudantes aprovaram..." (concorda com o complemento plural).

Quando o coletivo é seguido de complemento plural, as duas concordâncias são aceitas. Mas cuidado: "Mais de um aluno chegou" fica, em regra, no singular, mesmo soando estranho (vai ao plural se a expressão vier repetida ou houver ideia de reciprocidade: "Mais de um aluno se cumprimentaram"). "Menos de dois alunos chegaram" fica no plural.

6. Pronome após preposição

Errado: "Entre eu e ele houve discussão." Certo: "Entre mim e ele houve discussão."

Depois de preposição usa-se pronome oblíquo tônico (mim, ti, si). Exceção: quando o pronome é sujeito de verbo seguinte — "Trouxe o livro para eu ler" (eu é sujeito de ler).

7. "Há" × "A" no tempo

Errado: "Há dois anos atrás, fui aprovado." Certo: "Há dois anos, fui aprovado." ou "Dois anos atrás, fui aprovado."

"Há" já indica passado. Somar "atrás" é pleonasmo vicioso. E não troque: "há" (verbo haver) indica tempo decorrido; "a" (preposição) indica tempo futuro ou distância — "Daqui a dois anos", "a 5 km daqui".

8. Vírgula entre sujeito e verbo

Errado: "O Presidente, sancionou a lei ontem." Certo: "O Presidente sancionou a lei ontem."

Nunca separe sujeito e verbo por uma vírgula. Só entram vírgulas entre eles se houver um termo intercalado (aposto, oração explicativa ou adjunto adverbial deslocado), e sempre em par: "O Presidente, durante a cerimônia, sancionou a lei."

9. "Onde" para tempo ou situação

Errado: "O momento onde vivemos exige reflexão." Certo: "O momento em que vivemos exige reflexão."

Onde se refere apenas a lugar. Para tempo use quando ou em que. Para circunstância use em que.

10. Prolixidade burocrática

Errado: "Devido ao fato de que a economia se encontra em estado de crise, faz-se necessário..." Certo: "Porque a economia está em crise, é necessário..."

Bancas valorizam concisão. Cortar "no momento atual em que vivemos" (= hoje), "com o objetivo de" (= para), "devido ao fato de que" (= porque) economiza linhas para argumentos reais.

11. Primeira pessoa em dissertação

Errado: "Eu acho que a educação pública precisa de investimento." Certo: "A educação pública demanda investimento estrutural." ou "Considera-se que..."

Redação dissertativo-argumentativa exige impessoalidade (3ª pessoa). "Eu acho", "na minha opinião", "a gente" são quebras de registro. Use voz passiva ou impessoal: "sabe-se que", "observa-se".

12. Ortografia clássica que cai sempre

Lista cruel das palavras que candidato escreve errado:

  • Beneficente (não "beneficiente")
  • Privilégio (não "previlégio")
  • Exceção com Ç × excesso com SS
  • Pretensioso com S (não com Z)
  • Mendigo (não "mendingo")
  • Iminente (prestes a acontecer) × eminente (importante)
  • Consciência (com SC) e consequência (com QU e terminação -ência)
  • Trajeto com J (não "tragéto")
  • Pesquisa com S (não "pesquiza")

Se duvidou de uma palavra, troque por sinônimo conhecido. Não arrisque.

Erros bônus que aparecem em provas FCC e CESPE

Esses caem menos, mas quando caem viram pegadinha cruel:

  • Cacofonia: "boca dela" soa como "bocadela". Reescreva como "sua boca". Não é erro gramatical, mas mancha o estilo.
  • Falsos paralelos: "Ele gosta de cinema, teatro e nadar" — quebra de paralelismo. Correto: "de cinema, teatro e natação" (todos substantivos).
  • "Trata-se de" no plural: a partícula SE com verbo transitivo indireto fica sempre no singular — "trata-se de questões complexas" (e não "tratam-se de questões"). É erro recorrente em parecer e ofício.
  • "Vossa Excelência sabes": pronome de tratamento concorda na 3ª pessoa, nunca na 2ª. Correto: "Vossa Excelência sabe".
  • "Fazem cinco anos": o verbo "fazer" no sentido de tempo decorrido é impessoal — fica no singular. Correto: "Faz cinco anos".

Como treinar em 14 dias

Norma culta não se aprende lendo. Aprende-se errando, corrigindo e reescrevendo.

Dia Foco Tarefa
1-3 Crase + regência Escreva 30 frases curtas aplicando cada regra
4-6 Concordância + pontuação Reescreva 1 redação antiga corrigindo erros
7-9 Gerundismo + pleonasmo + clichês Faça lista pessoal de vícios
10-12 Redações completas 1 redação CESPE por dia, autocorreção
13-14 Revisão final Releia todas e classifique erros

Em 14 dias de treino focado, os erros de norma caem visivelmente. Em prova com corte apertado, isso pode ser a diferença entre vaga e cadastro reserva.

Os 4 passes de revisão final

Antes de entregar, faça 4 leituras separadas — uma para cada tipo de erro:

  1. Norma: ortografia, crase, concordância, regência.
  2. Ambiguidade: pronomes com antecedente duplo, vírgulas faltando.
  3. Tema: o texto realmente responde à proposta?
  4. Fluidez: leia em voz baixa, ouvindo cacofonia.

Tentar revisar tudo de uma vez deixa erros passarem. Quatro passes focados pegam mais.

O caminho fechado

Norma culta é a competência mais técnica da redação. Não depende de inspiração, criatividade ou repertório — depende de regra decorada e aplicada. Boa notícia: é a competência mais estudável em pouco tempo.

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