Como escrever redação de concurso sem perder ponto por norma culta — 12 erros que mais zeram nota
Crase, regência, gerundismo, prolixidade e mais 8 vícios que CESPE/FGV/FCC punem com desconto direto. Lista crua + correção de cada um.
A maioria dos candidatos perde redação não por falta de ideia, mas por erros bobos de norma culta que descontam ponto certinho. Em prova CESPE/CEBRASPE, cada erro grave de gramática subtrai pontos do total — não importa se seu argumento era brilhante. Em FCC, 3 erros de crase ou concordância já derrubam o candidato da lista de classificados.
Este post lista os 12 erros mais cobrados em redação de concurso público com correção objetiva. Tudo o que aparece aqui sai direto de banca real — CESPE, FGV, FCC, VUNESP. Não é teoria de gramatica.com.br.
Por que norma culta pesa tanto
A competência de norma culta vale entre 20% e 30% da nota total nas três principais bancas. Numa redação que vale 30 pontos, isso é até 9 pontos só em gramática. Em concurso com corte de 70% da nota, perder 9 pontos é eliminação direta.
CESPE inclusive usa nota negativa: cada erro grave (crase, regência, concordância) desconta do total. Não tem milagre. Tem método.
Os 12 erros que mais zeram
1. Crase em pronomes
Errado: "Refiro-me à essa questão." Certo: "Refiro-me a essa questão."
Regra: antes de pronome demonstrativo (esta, essa, aquela), pessoal (ela, você) ou indefinido (todas, qualquer) não há crase. Exceção só para "àquela/àquele/àquilo" (que é fusão diferente).
Macete do masculino: troque por "este" — virou "a este"? Sem crase. Virou "ao"? Tem crase.
2. "Implicar em" — o falso amigo
Errado: "A reforma implica em mudanças estruturais." Certo: "A reforma implica mudanças estruturais."
O verbo implicar (no sentido de acarretar) é transitivo direto — não rege preposição. "Implicar em" pegou tração na linguagem cotidiana, mas CESPE penaliza sempre.
3. "A nível de" — jargão proibido
Errado: "A nível de Brasil, a desigualdade é estrutural." Certo: "Em âmbito nacional, a desigualdade é estrutural." ou "No nível federal..."
"A nível de" não existe em norma culta. É erro grosseiro. Banca pune com desconto direto.
4. Gerundismo
Errado: "Vou estar enviando o documento amanhã." Certo: "Enviarei o documento amanhã." ou "Vou enviar o documento amanhã."
O gerúndio só faz sentido para ação contínua simultânea ("estou estudando agora"). Como auxiliar de futuro é vício de telemarketing. Em redação formal: corte sem dó.
5. Concordância com "a maioria de"
Errado: "A maioria dos estudantes aprovou a proposta." (em contextos onde se quer enfatizar o conjunto plural) Certo (ambos aceitos): "A maioria dos estudantes aprovou..." ou "A maioria dos estudantes aprovaram..."
Quando o coletivo é seguido de complemento plural, as duas concordâncias são aceitas. Mas cuidado: "Mais de um aluno chegou" fica sempre no singular, mesmo soando estranho. "Menos de dois alunos chegaram" fica no plural.
6. Pronome após preposição
Errado: "Entre eu e ele houve discussão." Certo: "Entre mim e ele houve discussão."
Depois de preposição usa-se pronome oblíquo tônico (mim, ti, si). Exceção: quando o pronome é sujeito de verbo seguinte — "Trouxe o livro para eu ler" (eu é sujeito de ler).
7. "Há" × "A" no tempo
Errado: "Há dois anos atrás, fui aprovado." Certo: "Há dois anos, fui aprovado." ou "Dois anos atrás, fui aprovado."
"Há" já indica passado. Somar "atrás" é pleonasmo vicioso. CESPE adora cair nessa.
8. Vírgula entre sujeito e verbo
Errado: "O Presidente, sancionou a lei ontem." Certo: "O Presidente sancionou a lei ontem."
Nunca separe sujeito e verbo por vírgula. Só vale se houver aposto explicativo no meio: "O Presidente, durante a cerimônia, sancionou a lei."
9. "Onde" para tempo ou situação
Errado: "O momento onde vivemos exige reflexão." Certo: "O momento em que vivemos exige reflexão."
Onde se refere apenas a lugar físico. Para tempo use quando ou em que. Para circunstância use em que.
10. Prolixidade burocrática
Errado: "Devido ao fato de que a economia se encontra em estado de crise, faz-se necessário..." Certo: "Porque a economia está em crise, é necessário..."
Bancas valorizam concisão. Cortar "no momento atual em que vivemos" (= hoje), "com o objetivo de" (= para), "devido ao fato de que" (= porque) economiza linhas para argumentos reais.
11. Primeira pessoa em dissertação
Errado: "Eu acho que a educação pública precisa de investimento." Certo: "A educação pública demanda investimento estrutural." ou "Considera-se que..."
Redação dissertativo-argumentativa exige impessoalidade (3ª pessoa). "Eu acho", "na minha opinião", "a gente" são quebras de registro. Use voz passiva ou impessoal: "sabe-se que", "observa-se".
12. Ortografia clássica que cai sempre
Lista cruel das palavras que candidato escreve errado:
- Beneficente (não "beneficiente")
- Privilégio (não "previlégio")
- Exceção com Ç × excesso com SS
- Pretensioso com S (não com Z)
- Mendigo (não "mendingo")
- Iminente (prestes a acontecer) × eminente (importante)
- Consciência e consequência (ambas com C antes de IÊ)
- Trajeto com J (não "tragéto")
- Pesquisa com S (não "pesquiza")
Se duvidou de uma palavra, troque por sinônimo conhecido. Não arrisque.
Erros bônus que aparecem em provas FCC e CESPE
Esses caem menos, mas quando caem viram pegadinha cruel:
- Cacofonia: "boca dela" soa como "bocadela". Reescreva como "sua boca". CESPE não desconta direto, mas mancha o estilo e tira décimos.
- Falsos paralelos: "Ele gosta de cinema, teatro e nadar" — quebra de paralelismo. Correto: "de cinema, teatro e natação" (todos substantivos).
- "Trata-se de" no plural: a partícula SE com verbo transitivo indireto fica sempre no singular — "trata-se de questões complexas" (e não "tratam-se de questões"). É erro recorrente em parecer e ofício.
- "Vossa Excelência sabes": pronome de tratamento concorda na 3ª pessoa, nunca na 2ª. Correto: "Vossa Excelência sabe".
- "Fazem cinco anos": o verbo "fazer" no sentido de tempo decorrido é impessoal — fica no singular. Correto: "Faz cinco anos".
Como treinar em 14 dias
Norma culta não se aprende lendo. Aprende-se errando, corrigindo e reescrevendo.
| Dia | Foco | Tarefa |
|---|---|---|
| 1-3 | Crase + regência | Escreva 30 frases curtas aplicando cada regra |
| 4-6 | Concordância + pontuação | Reescreva 1 redação antiga corrigindo erros |
| 7-9 | Gerundismo + pleonasmo + clichês | Faça lista pessoal de vícios |
| 10-12 | Redações completas | 1 redação CESPE por dia, autocorreção |
| 13-14 | Revisão final | Releia todas e classifique erros |
Em 14 dias você sobe 2-3 pontos só em norma culta. Em prova CESPE com corte apertado, isso é a diferença entre vaga e cadastro reserva.
Os 4 passes de revisão final
Antes de entregar, faça 4 leituras separadas — uma para cada tipo de erro:
- Norma: ortografia, crase, concordância, regência.
- Ambiguidade: pronomes com antecedente duplo, vírgulas faltando.
- Tema: o texto realmente responde à proposta?
- Fluidez: leia em voz baixa, ouvindo cacofonia.
Tentar revisar tudo de uma vez deixa erros passarem. Quatro passes focados pegam mais.
O caminho fechado
Norma culta é a competência mais técnica da redação. Não depende de inspiração, criatividade ou repertório — depende de regra decorada e aplicada. Boa notícia: é a competência mais estudável em pouco tempo.
O AprovaVisual lançou o material Redação Visual com 70 subtópicos cobrindo norma culta aplicada, estrutura dissertativa, repertório sociocultural, perfil de banca (CESPE/FGV/FCC), redação oficial (ofício, memorando, parecer) e os 9 erros que mais zeram pontos — tudo em formato visual com cheat sheets imprimíveis de crase, regência, concordância e pontuação.
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Não é mágica. É treino + método + a lista certa de erros pra evitar.
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