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Português5 de julho de 2026 · 4 min de leitura

Regência verbal e nominal: os verbos que mudam de sentido

Assistir, aspirar, visar, esquecer, custar: a mesma palavra muda de regência quando muda de sentido — e é aí que CESPE, FGV e FCC pegam você. O mapa visual definitivo.

Concordância você até domina. Mas aí cai uma frase com "assistir o jogo" e você trava: está certo ou errado? A regência é a parte da gramática que mais muda conforme o sentido do verbo — e as bancas sabem disso. A mesma palavra pode ser transitiva direta numa frase e exigir preposição na frase seguinte. Quem decora "lista de verbos" se perde. Quem entende o sentido acerta sempre.

Regência é relação: é o vínculo entre um verbo (ou nome) e seus complementos, mediado — ou não — por uma preposição. Vamos enxergar isso com os olhos.

O princípio que resolve 80% das questões

Antes da lista, grave a lógica:

Mudou o sentido → pode mudar a regência.

O verbo assistir não tem "uma" regência. Ele tem uma regência para cada sentido. A banca troca o sentido e observa se você troca (ou mantém) a preposição. É uma armadilha de leitura, não de memória.

Os campeões de pegadinha (regência verbal)

Assistir

Sentido Regência Exemplo
Ver, presenciar VTI — exige a Assisti ao jogo.
Ajudar, prestar assistência VTD — sem preposição O médico assistiu o paciente.
Caber, pertencer (direito) VTI — exige a Assiste ao réu o direito de defesa.

Na acepção de "ver", a norma culta não aceita "assisti o filme". É assisti ao filme. E como o complemento pede a preposição a, o pronome correto é a ele/a ela, nunca lhe: "assisti a ele".

Aspirar

Sentido Regência Exemplo
Cheirar, sorver VTD Aspirou o perfume.
Desejar, almejar VTI — exige a Aspira ao cargo de auditor.

No sentido de "almejar", também não se usa lhe: aspira-se a ele, não aspira-lhe.

Visar

Sentido Regência Exemplo
Mirar, apontar VTD O atirador visou o alvo.
Dar visto / assinar VTD O gerente visou o cheque.
Ter em vista, objetivar VTI — exige a O curso visa à aprovação.

Esquecer e lembrar

A regra é o espelho: com pronome, exigem preposição; sem pronome, são diretos.

  • Sem pronome (VTD): Esqueci o nome. Lembrei o compromisso.
  • Com pronome (VTI + de): Esqueci-me do nome. Lembrei-me do compromisso.

O erro clássico é misturar: "esqueci do nome" (sem pronome, mas com preposição) é considerado errado na norma culta.

Preferir

VTDI que rejeita reforço e a construção "do que":

  • Certo: Prefiro cinema a teatro.
  • Errado: Prefiro cinema do que teatro.
  • Errado: Prefiro mais cinema...

Nada de "prefiro muito mais do que". É só preferir uma coisa a outra.

Obedecer / desobedecer

VTI — exigem a: Obedeça aos sinais. Desobedeceu à ordem. (Curiosidade útil: por regerem a, admitem voz passiva — "a lei foi obedecida" —, apesar de intransitivos diretos não admitirem.)

Pagar e perdoar

Distinguem coisa de pessoa:

  • Coisa → VTD: Paguei a conta. Perdoei a dívida.
  • Pessoa → VTI: Paguei ao garçom. Perdoei ao amigo.

Custar

No sentido de "ser difícil", quem custa é a coisa, e a pessoa vem com a:

  • Certo: Custou-me acreditar na notícia. / Custou ao aluno entender.
  • Evite: Eu custei a acreditar (uso condenado pela norma culta formal).

Miúdos que a FGV adora

  • Namorar — VTD, sem com: Namora o vizinho (não "namora com").
  • Simpatizar / antipatizar — VTI com com, e não são pronominais: Simpatizo com ele (nunca "me simpatizo").
  • Implicar (= acarretar) — VTD, sem em: O cargo implica responsabilidade.
  • Chegar / ir — VI com a: Cheguei ao trabalho (na norma culta, não "cheguei no").

Regência nominal: a irmã esquecida (e cobrada)

Nomes — substantivos, adjetivos e advérbios — também exigem preposição. A boa notícia: muitos herdam a preposição do verbo correspondente. Obedecer aobediente a. Aspirar aaspiração a.

O quadro que mais cai:

Nome Preposição Exemplo
acessível, favorável, contrário, análogo a Favorável ao projeto.
capaz, ávido, digno, passível de Capaz de vencer.
apto a ou para Apto a/para o cargo.
ansioso por ou de Ansioso por notícias.
compatível, incompatível com Compatível com o edital.
preferível a Preferível a desistir.

Atenção ao vilão preferível: como preferir, rege a, jamais "do que". E respeito muda o matiz conforme a preposição — respeito a (referente a), por (consideração), com (relação).

Como estudar isso sem enlouquecer

Regência não se decora em lista — se fixa em contraste. O cérebro guarda o par, não o item solto:

  1. Sempre em dupla de sentidos. Nunca estude "assistir" sozinho; estude "assistir ao jogo × assistir o doente". O contraste é a memória.
  2. Monte uma frase-âncora sua para cada verbo camaleão. Frase própria gruda; regra abstrata escorre.
  3. Teste com pronome. Se o verbo rege a coisas, o pronome é lhe; se rege a + pessoa/ideia com preposição obrigatória, é a ele/a ela. Esse teste sozinho elimina metade das alternativas.
  4. Resolva por sentido, não por "soar bem". "Assisti o filme" soa natural — e é o erro que a banca planta.

Estude com os olhos: uma tabela de dois sentidos lado a lado vale mais que dez páginas de teoria corrida. É exatamente assim que a regência para de ser sorte e vira ponto garantido.


No Português Completo, regência verbal e nominal vêm em tabelas de contraste — cada verbo camaleão com seus sentidos lado a lado, pegadinha marcada e macete — mais questões CESPE/FGV/FCC comentadas para você fixar por contraste, não por decoreba. Pare de perder ponto fácil na regência.

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