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Raciocínio Lógico9 de agosto de 2026 · 5 min de leitura

Porcentagem em concurso: a pegadinha dos aumentos sucessivos

Por que 10% + 10% não é 20%, por que um aumento seguido de desconto igual sempre dá prejuízo, e o macete do fator multiplicativo que resolve a maioria das questões de cabeça.

Porcentagem parece a matéria mais fácil do edital. É também onde o concurseiro mais perde ponto bobo — porque a banca não cobra "quanto é 20% de 500". Ela cobra variação: aumentos que se acumulam, descontos que se somam errado, e a diferença traiçoeira entre porcentagem e ponto percentual.

A boa notícia: existe uma ferramenta única que resolve quase tudo de cabeça. Chama-se fator multiplicativo. Aprenda a enxergar porcentagem como multiplicação e você para de errar.

O fator multiplicativo: o único macete que você precisa

Toda porcentagem vira um número que você multiplica. A regra cabe em duas linhas:

Operação Fator Exemplo
Aumentar x% 1 + x/100 +20% → 1,20
Diminuir x% 1 − x/100 −20% → 0,80

Aumentou 20%? Multiplique por 1,20. Deu desconto de 15%? Multiplique por 0,85. Só isso.

Um preço de R$ 200 com aumento de 20%: 200 × 1,20 = 240.

Não some "40 reais na cabeça". Multiplique pelo fator. Parece igual em uma operação só — mas o ganho aparece quando as variações se encadeiam.

A pegadinha nº 1: 10% + 10% ≠ 20%

Um produto sobe 10% em janeiro e mais 10% em fevereiro. Qual o aumento total?

O reflexo errado grita "20%". A banca conta com isso.

Encadeie os fatores: 1,10 × 1,10 = 1,21.

O fator final é 1,21 → o aumento real é de 21%, não 20%. Aquele 1% a mais são os "juros sobre juros": o segundo aumento incide sobre um valor já aumentado. É o mesmo princípio de juros compostos — porcentagens sucessivas não se somam, se multiplicam.

Três aumentos de 10%? 1,1 × 1,1 × 1,1 = 1,33133,1%, e não 30%.

A pegadinha nº 2: aumentou e depois deu o mesmo desconto — deu prejuízo

Esta é a queridinha do CESPE. Uma mercadoria teve o preço aumentado em 20% e, na promoção, teve um desconto de 20%. Voltou ao preço original?

Não. Multiplique os fatores: 1,20 × 0,80 = 0,96.

O fator final é 0,96 → o preço ficou 4% menor que o original. Aumentar e depois descontar o mesmo percentual sempre gera prejuízo, porque o desconto incide sobre um valor maior do que o aumento incidiu.

Guarde a regra visual: subir e descer a mesma porcentagem nunca volta ao ponto de partida — sempre sobra uma perda. E a perda é sempre (x/100)² do valor. Para 20%: 0,20² = 0,04 = 4%. Bateu.

A pegadinha nº 3: descontos sucessivos também não somam

"Leve com 30% de desconto e ganhe mais 20% no caixa." O vendedor diz "50% de desconto". Está errado?

Está. Encadeando: 0,70 × 0,80 = 0,56.

Fator 0,56 significa que você paga 56% do preço → o desconto real é de 44%, não 50%. Descontos sucessivos são sempre menores que a soma ingênua. E a ordem não importa: 0,7 × 0,8 = 0,8 × 0,7. Multiplicação é comutativa — a banca às vezes inverte a ordem só para ver se você acha que muda o resultado. Não muda.

A pegadinha nº 4: porcentagem × ponto percentual

Essa separa quem estuda de quem chuta. Suponha que a taxa Selic subiu de 10% para 12%. De quanto foi o aumento?

Depende da palavra usada:

  • Pontos percentuais: subiu 2 pontos (12 − 10). É subtração simples.
  • Porcentagem: subiu 2/10 = 0,20 = 20%. É variação relativa.

Ou seja: sair de 10% para 12% é um aumento de 2 pontos percentuais, que equivale a um aumento de 20% na taxa. As duas frases descrevem o mesmo fato com números diferentes — e a banca escolhe de propósito a que confunde. Quando ler "ponto percentual" (ou "p.p."), pense subtração. Quando ler "aumentou X%", pense fator.

Como calcular a variação percentual entre dois valores

Fórmula única, sempre a mesma:

variação = (valor final − valor inicial) ÷ valor inicial

O denominador é sempre o valor de onde você saiu (o inicial). De 80 para 100: (100 − 80) ÷ 80 = 20 ÷ 80 = 0,25 = 25%.

Aumento de 25%. Agora o retorno, de 100 para 80: (80 − 100) ÷ 100 = −20 ÷ 100 = −0,20 = −20%.

Repare: subir de 80 para 100 é +25%, mas descer de 100 para 80 é −20%. O mesmo intervalo em reais dá porcentagens diferentes porque a base mudou. Trocar a base é o erro nº 1 nessas questões — o denominador é sempre de onde se parte.

Descubra o preço original ("o preço já com aumento")

"Depois de um aumento de 25%, uma peça custa R$ 250. Qual era o preço antes?"

O erro clássico é tirar 25% de 250. Não. O 250 já é o valor aumentado — é o resultado da multiplicação pelo fator. Então divida: 250 ÷ 1,25 = 200.

Confere: 200 × 1,25 = 250. Sempre que o enunciado der o valor depois da variação e pedir o de antes, você divide pelo fator, não multiplica.

Tabela-resumo pra colar na parede

Situação O que fazer
Aumentar x% × (1 + x/100)
Diminuir x% × (1 − x/100)
Variações sucessivas multiplique os fatores
Achar o valor "de antes" divida pelo fator
Variação entre dois valores (final − inicial) ÷ inicial
"Pontos percentuais" subtração direta
"Aumentou X%" fator / variação relativa

Por que estudar isso com os olhos resolve

Porcentagem não é conteúdo pra decorar — é conteúdo pra enxergar o movimento. Quando você visualiza o fator 1,20 empurrando o preço pra cima e o 0,80 puxando de volta, a pegadinha do "aumentou e descontou o mesmo tanto" fica óbvia: o segundo fator age sobre um número maior. É por isso que o estudo visual funciona pra RLM — você para de aplicar fórmula no automático e passa a prever a armadilha antes de ela aparecer.

No RLM Visual, porcentagem vem em infográficos com o fator multiplicativo mapeado, as quatro pegadinhas acima resolvidas passo a passo e 100 questões CESPE/FGV/FCC comentadas — as mesmas que separam o candidato que soma de cabeça do que multiplica com método. Estude o movimento, não a fórmula solta, e essa parte da prova vira ponto garantido.

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