Prescrição trabalhista: bienal × quinquenal (e a pegadinha do FGTS)
A regra '2 para entrar, 5 para trás', a prescrição total × parcial (art. 11, § 2º, da CLT — a antiga Súmula 294 do TST foi cancelada), o FGTS que virou quinquenal e a prescrição intercorrente da Reforma.

Prescrição é um dos temas que mais derrubam candidato em Processo do Trabalho — não pela complexidade, mas pela quantidade de prazos que se cruzam. CESPE, FGV e FCC cobram a prescrição bienal, a quinquenal, o caso do FGTS e a prescrição intercorrente da Reforma. Com um macete, tudo se encaixa.
A regra-mãe: "2 para entrar, 5 para trás"
A CF/88 (art. 7º, XXIX) fixa duas prescrições que atuam juntas:
- Prescrição bienal: o trabalhador tem 2 anos após a extinção do contrato para ajuizar a reclamação.
- Prescrição quinquenal: dentro da ação, ele só pode cobrar créditos dos últimos 5 anos contados do ajuizamento.
Macete que cola: 2 anos para entrar com a ação; 5 anos para trás de verbas.
Exemplo: contrato encerrado em 01/2024. O trabalhador tem até 01/2026 para ajuizar (bienal). Se ajuizar em 12/2025, alcança verbas desde 12/2020 (quinquenal). O que for anterior a isso está prescrito.
Prescrição total × parcial (art. 11, § 2º, da CLT)
Quando se discute alteração do contrato (ex.: supressão de uma parcela), o TST distingue:
- Prescrição parcial: a lesão se renova mês a mês (prestações sucessivas). Cada parcela prescreve isoladamente: só se perdem as vencidas há mais de 5 anos do ajuizamento. Aplica-se quando a parcela é assegurada por lei.
- Prescrição total: conta-se do ato único de alteração (5 anos a partir dele). Aplica-se quando a parcela não está prevista em lei (só em norma contratual).
Art. 11, § 2º, da CLT (incluído pela Reforma de 2017): tratando-se de pedido de prestações sucessivas decorrente de alteração ou descumprimento do pactuado, a prescrição é total, exceto quando o direito à parcela esteja também assegurado por preceito de lei (aí é parcial). A regra vinha da Súmula 294 do TST, que o próprio TST cancelou em 2025 (Res. 225/2025) por perda de eficácia desde a Reforma — estude pelo texto da CLT.
O caso do FGTS — a pegadinha que mudou
Por muito tempo, a prescrição do FGTS era trintenária (30 anos). Em 2014, o STF (ARE 709.212) declarou inconstitucional esse prazo e fixou a prescrição quinquenal (5 anos), respeitada a bienal após a extinção do contrato.
O TST atualizou a Súmula 362:
- Ciência da lesão a partir de 13/11/2014: prazo de 5 anos, observados os 2 anos após o fim do contrato.
- Prazo já em curso em 13/11/2014: aplica-se o que se consumar primeiro entre 30 anos (contados do termo inicial) e 5 anos (contados de 13/11/2014).
Pegadinha campeã: a banca afirma que "a prescrição do FGTS é trintenária". Falso desde 2014 — hoje é quinquenal.
O material Processo do Trabalho Visual traz uma linha do tempo visual das prescrições (bienal, quinquenal, FGTS, intercorrente) com as súmulas comentadas e 20 questões CESPE/FGV resolvidas.
Prescrição intercorrente — novidade da Reforma
Antes da Reforma, prevalecia a Súmula 114 do TST (hoje cancelada): não corria prescrição intercorrente na Justiça do Trabalho. A Lei 13.467/2017 mudou isso ao inserir o art. 11-A na CLT:
- A prescrição intercorrente ocorre no prazo de 2 anos; o prazo começa a fluir quando o exequente deixa de cumprir determinação judicial no curso da execução (art. 11-A, § 1º).
- Pode ser requerida ou declarada de ofício, em qualquer grau de jurisdição (art. 11-A, § 2º).
Pegadinha: para provas que cobram o texto atual da CLT, a intercorrente existe (2 anos na execução). A Súmula 114 do TST ("é inaplicável na Justiça do Trabalho a prescrição intercorrente") foi superada pelo art. 11-A e cancelada pelo TST em 2025 (Res. 225/2025).
Quem não sofre prescrição
- Menor de 18 anos: não corre prescrição contra ele (art. 440 da CLT). O prazo só começa a fluir quando completa 18.
- Declaração de ofício: no processo do trabalho, a prescrição em regra precisa ser arguida pela parte — mas o juiz pode pronunciar a intercorrente de ofício (art. 11-A, § 2º).
As pegadinhas que mais se repetem
- "A prescrição do FGTS é trintenária." Falso — quinquenal desde 2014 (STF/Súmula 362).
- "Não há prescrição intercorrente no processo do trabalho." Falso após a Reforma — 2 anos na execução.
- Confundir bienal com quinquenal — 2 anos é para ajuizar; 5 anos é o alcance das verbas.
- "Corre prescrição contra o menor de 18." Falso (art. 440).
- Aplicar prescrição total quando a parcela é prevista em lei — nesse caso é parcial (art. 11, § 2º, da CLT).
Como estudar — fecha em 2h30
- Fixe "2 para entrar, 5 para trás" com um exemplo de datas.
- Decore o art. 11, § 2º, da CLT (total × parcial; a antiga Súmula 294 foi cancelada em 2025) e a Súmula 362 (FGTS).
- Memorize o art. 11-A (intercorrente de 2 anos).
- Resolva 25 questões CESPE/FGV de prescrição.
Prescrição trabalhista é tema de linha do tempo — desenhou as datas, acertou a questão. O Processo do Trabalho Visual traz a linha do tempo e o banco de questões prontos.
O que fazer hoje
- Desenhe a linha do tempo bienal × quinquenal com um exemplo.
- Escreva o prazo do FGTS e a data da virada (13/11/2014).
- Resolva 10 questões sobre prescrição intercorrente.
Entendeu os prazos que se cruzam? O tema deixa de ser armadilha.
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