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Português11 de setembro de 2026 · 5 min de leitura · atualizado 29 de setembro de 2026

Redação Oficial: padrão ofício, fecho e pronomes de tratamento

Os pontos centrais do Manual de Redação da Presidência: os 2 fechos, quem recebe 'Vossa Excelência' e a pegadinha do 'Excelentíssimo'.

Redação Oficial é aquela matéria que muitos editais cobram, quase ninguém estuda direito e o CESPE adora usar como peneira de detalhe. A boa notícia: o conteúdo é curto e a fonte principal é uma só — o Manual de Redação da Presidência da República (MRPR), 3ª edição (2018) —, com um complemento obrigatório para a esfera federal: o Decreto 9.758/2019 (veja abaixo). Quem domina meia dúzia de regras acerta praticamente tudo.

Aqui você vai enxergar o essencial em blocos visuais. Nada de decorar 200 páginas: são poucas regras que se repetem prova após prova.

As 3 qualidades que definem o texto oficial

O MRPR define a redação oficial pela busca de clareza, concisão e impessoalidade, escrita sempre na norma-padrão da língua. Duas pegadinhas clássicas caem aqui:

  • Impessoalidade não é o mesmo que usar linguagem rebuscada. É o contrário: quem "fala" é o serviço público, não a pessoa do signatário.
  • Formalidade ≠ arcaísmo. O manual manda evitar jargão e expressões empoladas do tipo "Tenho a honra de", "Tenho o prazer de", "Cumpre-me informar". Prefira o direto: "Informo", "Encaminho", "Solicito".

O padrão ofício: um documento só

Esta é a mudança que a 3ª edição trouxe e que mais cai: os antigos ofício, aviso e memorando foram unificados. Hoje existe um único documento — o ofício — que segue o chamado padrão ofício.

As partes, na ordem:

Parte O que é
Tipo e número OFÍCIO Nº 123/2026/SIGLA-ÓRGÃO
Local e data Alinhados à direita
Endereçamento A quem se destina (nome, cargo, endereço)
Assunto Resumo do teor, em negrito
Texto Introdução → desenvolvimento → conclusão
Fecho Respeitosamente ou Atenciosamente
Identificação do signatário Nome e cargo (sem "DD", sem "Ilmo.")

Repare que não existe assinatura com traço/linha por cima do nome — o manual dispensa isso.

Os 2 fechos (e só dois)

O MRPR estabelece apenas dois fechos para todas as modalidades de comunicação oficial — memorize como um interruptor:

  • Respeitosamente → para autoridades superiores, inclusive o Presidente da República.
  • Atenciosamente → para autoridades de mesma hierarquia ou de hierarquia inferior e demais casos.

Ficam fora dessa fórmula as comunicações dirigidas a autoridades estrangeiras, que seguem rito e tradição próprios.

Macete: quem está acima de você merece respeito (Respeitosamente). Os demais, atenção (Atenciosamente).

Pronomes de tratamento: o coração da prova

Só existem dois pronomes que você precisa dominar de olhos fechados:

  • Vossa Excelência (abrev. V. Exa.) → altas autoridades dos três Poderes: Presidente da República, ministros de Estado, senadores, deputados, governadores, prefeitos, membros do Judiciário (juízes, desembargadores, ministros de tribunais), oficiais-generais das Forças Armadas.
  • Vossa Senhoria (abrev. V. Sa.) → as demais autoridades e os particulares.

Três regras de concordância que o CESPE ama:

  1. O verbo vai para a 3ª pessoa, mesmo o pronome tendo "Vossa": "Vossa Excelência nomeará seu substituto" — nunca "nomearás" nem "vosso".
  2. O adjetivo concorda com o sexo da pessoa, não com o pronome: "Vossa Excelência está atarefado" (homem) / "atarefada" (mulher).
  3. "Vossa" quando você fala com a pessoa; "Sua" quando fala dela: "Vossa Excelência decidirá" (dirigindo-se a ela) × "Sua Excelência, o ministro, decidiu" (falando a respeito).

E o tratamento Vossa Magnificência, antes usado para reitores? A 3ª edição do manual não o traz mais em sua tabela, e o Decreto 9.758/2019 o vedou na comunicação com agentes públicos federais.

A pegadinha do "Excelentíssimo"

Aqui muita gente erra. O vocativo "Excelentíssimo Senhor" é reservado a apenas três autoridades — os chefes dos três Poderes:

  • Presidente da República
  • Presidente do Congresso Nacional
  • Presidente do Supremo Tribunal Federal

Para todas as demais autoridades, por mais altas que sejam (inclusive ministros e governadores), o vocativo é apenas "Senhor" + cargo:

  • ✅ Excelentíssimo Senhor Presidente da República,
  • ✅ Senhor Ministro, / Senhor Governador,
  • ❌ Excelentíssimo Senhor Ministro, ← errado no padrão do manual

Ou seja: usar "Vossa Excelência" no corpo do texto não implica abrir com "Excelentíssimo". Uma coisa é o pronome de tratamento; outra é o vocativo.

O que morreu (e vira questão certa/errado)

O MRPR aposentou vários vícios. Marque como desuso — se aparecer na prova, provavelmente está errado:

  • "Digníssimo" (DD) e "Ilustríssimo" (Ilmo.) → abolidos. A forma "Senhor" já confere a formalidade necessária.
  • "Doutor" → não é pronome de tratamento; é título acadêmico. O manual manda evitar seu uso indiscriminado — use "Senhor". Na comunicação com agentes públicos federais, o Decreto 9.758/2019 o vedou.
  • Fechos floreados e saudações rebuscadas → substituídos pelos dois fechos-padrão.

Atenção: o Decreto 9.758/2019 na esfera federal

Depois da 3ª edição do manual, o Decreto 9.758/2019 mudou o tratamento na comunicação, oral ou escrita, com agentes públicos da administração pública federal:

  • o único pronome de tratamento passa a ser "senhor" (flexionado para "senhora" e para o plural), qualquer que seja o cargo — inclusive Ministros de Estado e o Presidente da República;
  • ficam vedados, ainda que abreviados: Vossa Excelência ou Excelentíssimo, Vossa Senhoria, Vossa Magnificência, doutor, ilustre ou ilustríssimo, digno ou digníssimo e respeitável;
  • exceções: comunicações com autoridades estrangeiras ou de organismos internacionais, e com agentes do Judiciário, do Legislativo, dos Tribunais de Contas, da Defensoria, do Ministério Público ou de outros entes federativos quando a outra parte exigir tratamento especial com base em norma aplicável.

Na prova, leia o enunciado: se a questão pede "segundo o Manual de Redação", valem as regras do manual acima; se trata da comunicação com agente público federal "segundo a legislação vigente", vale o decreto.

Formatação: a virada da 3ª edição

Ponto que cai direto e pega quem estudou por material antigo: a 3ª edição trocou a fonte Times New Roman (usada na 2ª edição) por Calibri ou Carlito, tamanho 12 no corpo do texto. Em citações recuadas usa-se 11; em notas de rodapé, 10. O documento é impresso em papel A4, com espaçamento simples entre as linhas.

Resumo visual para colar na parede

Tema Regra de ouro
Documentos Ofício, aviso e memorando viraram um só: ofício
Fechos Respeitosamente (superior) · Atenciosamente (igual/inferior)
V. Excelência Altas autoridades dos 3 Poderes
V. Senhoria Demais autoridades e particulares
Concordância Verbo na 3ª pessoa; adjetivo pelo sexo da pessoa
"Excelentíssimo" Só Presidente da República, do Congresso e do STF (no manual)
Decreto 9.758/2019 Com agente público federal: só "senhor"
Desuso DD, Ilmo., Doutor (como cortesia)
Fonte Calibri/Carlito 12 (não é mais Times)

Redação Oficial é uma matéria de ótimo retorno por hora estudada: pouca teoria, cobrança previsível e questões que você acerta no automático depois de ver o mapa uma vez. O segredo não é reler o manual inteiro — é fixar os quadros acima e resolver questões até virar reflexo.

É exatamente assim que montamos o Redação Visual: cada regra do manual vira um mapa mental ilustrado, com modelos prontos de ofício, memorando, parecer e ata, e 100 questões autorais no estilo CESPE/FGV/FCC, comentadas, para você treinar a pegadinha antes que ela caia na sua prova. Estude com os olhos — e transforme Redação Oficial em ponto garantido.

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