Redação Oficial: padrão ofício, fecho e pronomes de tratamento
Os pontos centrais do Manual de Redação da Presidência: os 2 fechos, quem recebe 'Vossa Excelência' e a pegadinha do 'Excelentíssimo'.
Redação Oficial é aquela matéria que muitos editais cobram, quase ninguém estuda direito e o CESPE adora usar como peneira de detalhe. A boa notícia: o conteúdo é curto e a fonte principal é uma só — o Manual de Redação da Presidência da República (MRPR), 3ª edição (2018) —, com um complemento obrigatório para a esfera federal: o Decreto 9.758/2019 (veja abaixo). Quem domina meia dúzia de regras acerta praticamente tudo.
Aqui você vai enxergar o essencial em blocos visuais. Nada de decorar 200 páginas: são poucas regras que se repetem prova após prova.
As 3 qualidades que definem o texto oficial
O MRPR define a redação oficial pela busca de clareza, concisão e impessoalidade, escrita sempre na norma-padrão da língua. Duas pegadinhas clássicas caem aqui:
- Impessoalidade não é o mesmo que usar linguagem rebuscada. É o contrário: quem "fala" é o serviço público, não a pessoa do signatário.
- Formalidade ≠ arcaísmo. O manual manda evitar jargão e expressões empoladas do tipo "Tenho a honra de", "Tenho o prazer de", "Cumpre-me informar". Prefira o direto: "Informo", "Encaminho", "Solicito".
O padrão ofício: um documento só
Esta é a mudança que a 3ª edição trouxe e que mais cai: os antigos ofício, aviso e memorando foram unificados. Hoje existe um único documento — o ofício — que segue o chamado padrão ofício.
As partes, na ordem:
| Parte | O que é |
|---|---|
| Tipo e número | OFÍCIO Nº 123/2026/SIGLA-ÓRGÃO |
| Local e data | Alinhados à direita |
| Endereçamento | A quem se destina (nome, cargo, endereço) |
| Assunto | Resumo do teor, em negrito |
| Texto | Introdução → desenvolvimento → conclusão |
| Fecho | Respeitosamente ou Atenciosamente |
| Identificação do signatário | Nome e cargo (sem "DD", sem "Ilmo.") |
Repare que não existe assinatura com traço/linha por cima do nome — o manual dispensa isso.
Os 2 fechos (e só dois)
O MRPR estabelece apenas dois fechos para todas as modalidades de comunicação oficial — memorize como um interruptor:
- Respeitosamente → para autoridades superiores, inclusive o Presidente da República.
- Atenciosamente → para autoridades de mesma hierarquia ou de hierarquia inferior e demais casos.
Ficam fora dessa fórmula as comunicações dirigidas a autoridades estrangeiras, que seguem rito e tradição próprios.
Macete: quem está acima de você merece respeito (Respeitosamente). Os demais, atenção (Atenciosamente).
Pronomes de tratamento: o coração da prova
Só existem dois pronomes que você precisa dominar de olhos fechados:
- Vossa Excelência (abrev. V. Exa.) → altas autoridades dos três Poderes: Presidente da República, ministros de Estado, senadores, deputados, governadores, prefeitos, membros do Judiciário (juízes, desembargadores, ministros de tribunais), oficiais-generais das Forças Armadas.
- Vossa Senhoria (abrev. V. Sa.) → as demais autoridades e os particulares.
Três regras de concordância que o CESPE ama:
- O verbo vai para a 3ª pessoa, mesmo o pronome tendo "Vossa": "Vossa Excelência nomeará seu substituto" — nunca "nomearás" nem "vosso".
- O adjetivo concorda com o sexo da pessoa, não com o pronome: "Vossa Excelência está atarefado" (homem) / "atarefada" (mulher).
- "Vossa" quando você fala com a pessoa; "Sua" quando fala dela: "Vossa Excelência decidirá" (dirigindo-se a ela) × "Sua Excelência, o ministro, decidiu" (falando a respeito).
E o tratamento Vossa Magnificência, antes usado para reitores? A 3ª edição do manual não o traz mais em sua tabela, e o Decreto 9.758/2019 o vedou na comunicação com agentes públicos federais.
A pegadinha do "Excelentíssimo"
Aqui muita gente erra. O vocativo "Excelentíssimo Senhor" é reservado a apenas três autoridades — os chefes dos três Poderes:
- Presidente da República
- Presidente do Congresso Nacional
- Presidente do Supremo Tribunal Federal
Para todas as demais autoridades, por mais altas que sejam (inclusive ministros e governadores), o vocativo é apenas "Senhor" + cargo:
- ✅ Excelentíssimo Senhor Presidente da República,
- ✅ Senhor Ministro, / Senhor Governador,
- ❌ Excelentíssimo Senhor Ministro, ← errado no padrão do manual
Ou seja: usar "Vossa Excelência" no corpo do texto não implica abrir com "Excelentíssimo". Uma coisa é o pronome de tratamento; outra é o vocativo.
O que morreu (e vira questão certa/errado)
O MRPR aposentou vários vícios. Marque como desuso — se aparecer na prova, provavelmente está errado:
- "Digníssimo" (DD) e "Ilustríssimo" (Ilmo.) → abolidos. A forma "Senhor" já confere a formalidade necessária.
- "Doutor" → não é pronome de tratamento; é título acadêmico. O manual manda evitar seu uso indiscriminado — use "Senhor". Na comunicação com agentes públicos federais, o Decreto 9.758/2019 o vedou.
- Fechos floreados e saudações rebuscadas → substituídos pelos dois fechos-padrão.
Atenção: o Decreto 9.758/2019 na esfera federal
Depois da 3ª edição do manual, o Decreto 9.758/2019 mudou o tratamento na comunicação, oral ou escrita, com agentes públicos da administração pública federal:
- o único pronome de tratamento passa a ser "senhor" (flexionado para "senhora" e para o plural), qualquer que seja o cargo — inclusive Ministros de Estado e o Presidente da República;
- ficam vedados, ainda que abreviados: Vossa Excelência ou Excelentíssimo, Vossa Senhoria, Vossa Magnificência, doutor, ilustre ou ilustríssimo, digno ou digníssimo e respeitável;
- exceções: comunicações com autoridades estrangeiras ou de organismos internacionais, e com agentes do Judiciário, do Legislativo, dos Tribunais de Contas, da Defensoria, do Ministério Público ou de outros entes federativos quando a outra parte exigir tratamento especial com base em norma aplicável.
Na prova, leia o enunciado: se a questão pede "segundo o Manual de Redação", valem as regras do manual acima; se trata da comunicação com agente público federal "segundo a legislação vigente", vale o decreto.
Formatação: a virada da 3ª edição
Ponto que cai direto e pega quem estudou por material antigo: a 3ª edição trocou a fonte Times New Roman (usada na 2ª edição) por Calibri ou Carlito, tamanho 12 no corpo do texto. Em citações recuadas usa-se 11; em notas de rodapé, 10. O documento é impresso em papel A4, com espaçamento simples entre as linhas.
Resumo visual para colar na parede
| Tema | Regra de ouro |
|---|---|
| Documentos | Ofício, aviso e memorando viraram um só: ofício |
| Fechos | Respeitosamente (superior) · Atenciosamente (igual/inferior) |
| V. Excelência | Altas autoridades dos 3 Poderes |
| V. Senhoria | Demais autoridades e particulares |
| Concordância | Verbo na 3ª pessoa; adjetivo pelo sexo da pessoa |
| "Excelentíssimo" | Só Presidente da República, do Congresso e do STF (no manual) |
| Decreto 9.758/2019 | Com agente público federal: só "senhor" |
| Desuso | DD, Ilmo., Doutor (como cortesia) |
| Fonte | Calibri/Carlito 12 (não é mais Times) |
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